Origem dos Nobres e Reais Licores

A duquesa Catarina de Médicis descendia de uma família de banqueiros poderosos que dominavam Florença, berço do Renascimento. Catarina casa com o futuro Rei de França, Henrique II. Esta duquesa leva para a corte francesa a modernidade do Renascimento, já muito avançado nos palácios dos banqueiros de Florença, onde não faltava o requinte e a sofisticação. Levou consigo um “batalhão” de pessoas: amas, cozinheiros, pasteleiros e licoreiros, estes, inexistentes em Paris. Para além da moderna gastronomia, com os perfumados licores, Catarina de Médicis abriu portas a um mundo novo e determinou o padrão da sofisticação e de comportamentos. O fascínio dos franceses pela herança greco-latina levada por Catarina, contribuiu para desenvolver o Renascimento pela Europa, o “francesismo”.

Duquesa Catarina de Médicis (1519-1589)

Salão dos espelhos (baile) num dos seus palácios em Florença

Da moderna cozinha francesa ao “Real Licor de Ginja”

Catarina de Médicis instalou na corte francesa a modernidade renascentista. Em Portugal, um século depois, uma rainha toma a mesma atitude: Dona Maria Francisca de Saboya, educada na corte francesa no reino de Louis XIV, casa com Afonso VI de Portugal e traz, para a corte portuguesa, a modernidade da renascença herdada de Catarina de Médicis, contribuindo para o “destrono” da cultura e da gastronomia medieval quinhentista, impregnada de especiarias orientais. Esta elegante rainha contribuiu, também, para a sofisticação e o requinte na corte portuguesa propagando-se, depois, por toda a nobreza e alta burguesia, dando início ao advento da modernidade: “o francesismo” na cultura e na sociedade portuguesa.

Do amor nasce o primeiro licor em Portugal

A rainha, quando chega a Lisboa, confunde o elegante cunhado, D. Pedro, com o seu marido, D. Afonso VI sendo este “fraco de corpo e de espírito” e que nunca consumou o matrimónio, vindo este a ser anulado por bula papal. A rainha casa, então, com o seu amado cunhado D. Pedro. O amor leva-a a trocar o Mosteiro da Esperança, onde se refugiou, por Óbidos, local para onde o seu amor a levou.
Segundo o historiador, investigador e gastrónomo Alfredo Saramago, a rainha, ao encontrar ginjas nos quintais do casario real de Óbidos, elaborou o seu preferido “Liqueur de griottes” (licor de ginja) com a ajuda do seu mestre de cozinha, Domingos Rodrigues.
Assim, Saramago concluiu que o primeiro licor produzido pela primeira vez em Portugal foi o licor de ginja, preparado na Cozinha Real de Óbidos, em 1677.

Uma Marca Real

O real receituário da rainha do “Liqueur de griottes” (licor de ginja), bem como a Marca “Real Ginja d’Óbidos – Original desde 1677”, foram registados com a permissão da CASA REAL PORTUGUESA.
O receituário real é integralmente reproduzido neste licor com as suas matérias primas da mais alta qualidade. As ginjas (prunus cerasus) são certificadas e provenientes de explorações agrícolas que obedecem a uma rigorosa manutenção de Modo de Produção Integrado.

A produção, comercialização e socialização do licor de ginja

Não demorou muito até que a fama do Real Licor de Ginja transpusesse os muros do casario real, levando a nobreza e alta burguesia à sua elaboração.
A nova classe social burguesa, urbana e endinheirada, reativa os alambiques, alguns abandonados pela civilização árabe, e transformam os antigos e medicinais xaropes em licores e os boticários em licoreiros.
É à burguesia que se deve a maior divulgação do licor de ginja com a sua produção nas suas destilarias e comercialização nos seus botequins e tavernas.
Lisboa, bem como Óbidos, entre outros locais, cedo caíram nas licorosas tentações do “culto” do licor de ginja. Não havia botequim nem taberna que a não exibisse, nem tertúlia que, com ela, não brindasse. Era a bebida da nobreza, da burguesia, dos poetas, dos fadistas e dos marialvas.

A Produção do Real Licor de Ginja

A elaboração deste licor, mediante o receituário da Casa Real, teve, inicialmente, a orientação em analises químicas e sensoriais da Enga. Ilda Caldeira, doutorada em Agro-Indústria e Investigadora em olfatometria e espectrometria de massa de destilados e bebidas espirituosas tradicionais.
O licor é produzido depois da permanência prolongada (nunca inferior a um ano) do fruto ginja em macerações hidroalcoólicas (água desmineralizada e álcool de cereais). A sua produção é elaborada em lotes, formalmente identificados, obedecendo ao rigor do “AUTOCONTROLO”: método eficaz em todos os procedimentos, tanto sob o plano humano como técnico, com grande rigor no âmbito da higienização melhorando, consideravelmente, a gestão do Sistema HCCP.